
Suspiro invade a noite
insônia do perfil mundano
palavras soníferas
cuspidas gavetas burocráticas
esconde sonhos
revolução paga
vende-se
aluga-se
compra-se
trajetória idéias de empréstimo
invisível homem-cotidiano
carros fuzilam esperança
seu único ardono

Estreia a vinda
da bailarina
alma livre insânia
se equilibra no rolo compressor
alumiando o único fio condutor de turbilhão
onde segura o palhaço
caminhando cego entre os canhões
com o sopro da afrodite
ao encontro do mar.

O silêncio entre as folhas secas
sopra e dissipa a brisa da solidão
Me perco e encontro no olhar tenro que nos rodopia
construo e desorganizo o pensamento no sussurro de tuas palavras
O vento nos envolve ao emaranhar das salivas se pérpetua na aurora
a alma canta anunciando a chuva-criadeira
Acolhe a luz e finca a saudades numa penumbra do asfalto
O cheiro das estações invade a alma
renasce lembranças do que vivi e não vivo
flor do campo seca multidões de cactos
acalanta a distância transbordando sonhos
estremece o sol com o retorno do silêncio
olhares cruzam ao meio dia da praça
soam os sinos da igreja, usurpam a história do caos
o ir e vir das ondas fincam o amor fora do eu
partida do desprendimento medo-ego
onde sol e lua se encontram despindo no eclipse.

Verdade absoluta, encontro no outro
quando me deparo em frente ao espelho
mais anseio pelo que não é feito
pessoas se entregam ao olho míope da miséria
distorção vem caminhando ao lado da criança
rompimento da imaginação,
falta disso nos leva aquilo...
voar sem direção nos falta
esperança do nada nos alcança ao vazio.

O trem percorre
outra vez,
levando sonhos
e a fumaça do vapor
em desencontro
a casa onde se encontra
a jabuticabeira,
não mora mais lá
o espelho desconheço,
não mora mais...
reconheço
fito os olhos
onde não há ilusão.