
Suspiro invade a noite
insônia do perfil mundano
palavras soníferas
cuspidas gavetas burocráticas
esconde sonhos
revolução paga
vende-se
aluga-se
compra-se
trajetória idéias de empréstimo
invisível homem-cotidiano
carros fuzilam esperança
seu único ardono

Estreia a vinda
da bailarina
alma livre insânia
se equilibra no rolo compressor
alumiando o único fio condutor de turbilhão
onde segura o palhaço
caminhando cego entre os canhões
com o sopro da afrodite
ao encontro do mar.

O silêncio entre as folhas secas
sopra e dissipa a brisa da solidão
Me perco e encontro no olhar tenro que nos rodopia
construo e desorganizo o pensamento no sussurro de tuas palavras
O vento nos envolve ao emaranhar das salivas se pérpetua na aurora
a alma canta anunciando a chuva-criadeira
Acolhe a luz e finca a saudades numa penumbra do asfalto